Tão logo o céu raiou na gigante Montevidéu, no Uruguai, o meio-campista Dudu Schwade se levantou no apartamento em que divide com a namorada, Camile, e saiu porta afora rumo a mais um dia de trabalho na temperatura fria da metrópole castelhana. Apesar de tanta simplicidade no jeito de encarar a rotina, o gaúcho de 21 anos, conhecido pelo torcedor do Juventude, defende atualmente as cores do Fénix, tradicional clube da capital uruguaia.
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O começo instável no Campeonato Uruguaio não foi suficiente para abalar os Albivioletas. Isso porque, depois de três vitórias em sequência no Intermedio, a reação é notória. Não por acaso, Dudu recebeu uma sondagem recente do Peñarol.
“O Fênix sempre trabalhou com muita força e união. Enfrentamos muitas dificuldades juntos. Mesmo com resultados adversos, continuamos trabalhando duro. Os bons resultados que estamos colhendo são frutos do que plantamos no início do ano. A troca de treinadores e a chegada de novos jogadores também contribuíram para o ambiente. A pressão nos fortaleceu. O torcedor uruguaio é muito acolhedor”, disse o brasileiro de 21 anos.
Raízes
Em 10 de maio, o jogador estampou as manchetes locais ao marcar dois gols no Nacional, em pleno Gran Parque Central, e levantar a camisa para exibir uma homenagem ao seu estado, o Rio Grande do Sul. Natural de Feliz, criado na localidade de Arroio Feliz e forjado em Caxias do Sul, onde viveu anos durante sua formação como jogador no Juventude, Dudu lamenta a tragédia que assolou familiares e amigos de todo o Estado.
“A rota de Feliz para Caxias do Sul é muito familiar para mim. A cultura, tradição, as vistas maravilhosas, o chimarrão e o churrasco sempre me encantam. Sempre que posso, visito meus pais em Feliz e as cidades próximas como Bom Principio e Vale Real. Esse ambiente fez parte da minha formação e sinto muita saudade. As lembranças do nosso povo me trazem diariamente muito carinho em meu coração. A homenagem foi para conscientizar sobre a situação e ajudar o povo gaúcho, que trabalha tanto e estava passando por um momento desesperador. Tenho certeza que o povo gaúcho sairá mais forte com toda essa ajuda que vem de fora do estado”, garante.
Mudança
O torcedor do Juventude que lembrar de Dudu vai se recordar de um atleta que atuava na lateral na base bem como nas poucas oportunidades que atuou pelo time profissional. Entretanto, a experiência adquirida no exterior, pelo Ittihad Kalba (Emirados Árabes) e também no Fênix revelou um meio-campista com intensidade na retomada de bola e com o elemento surpresa na frente. Prova disso é o seu recorde pessoal na equipe onde, em 16 jogos, tem quatro gols e uma assistência. Desse modo, é o artilheiro do clube uruguaio na liga nacional.
“Na escolinha, jogava mais adiantado, como volante, meia ou extrema. Na base, comecei a ser usado como lateral. Sempre quis jogar mais à frente, perto do gol, mas isso foi pouco explorado até chegar ao Fênix. Aqui, comecei jogando de extrema, depois como meia e tive grandes resultados. Sou muito feliz por jogar nessa posição e quero continuar desempenhando esse potencial”, concluiu.