Morro García, há exatamente um ano, dava a maior das lições

Jogador
Foto: Divulgação/Godoy Cruz

“Ah, mas ele só faz isso da vida, como consegue ser esse lixo?”

“Como conseguiu virar profissional sendo ruim desse jeito? Devia sumir da face da terra.”

“Esse cara é um infeliz, devia parar de jogar futebol hoje!”

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Quantas vezes não vimos (e nos acostumamos) a ver tais afirmações ultrapassarem as arquibancadas e ganharem as redes sociais? E quantas vezes também notamos esse grau ofensivo crescer para ameaças, discussões em locais públicos etc.?

De maneira infeliz e incompatível com a nossa evolução, tratamos de deshumanizar figuras de alta visibilidade como, por exemplo, jogadores de futebol em planteis estrelados dentro e fora dos nossos limites geográficos.

Além de vistos como símbolos de sucesso, também precisam ser infalíveis. À prova de erros. Sempre prontos para resolver quando solicitados. Afinal, a vida deles se resume a isso. A me entreter ou satisfazer. Sério?

É fato que as dificuldades são distintas do grande público, mas a condição financeira não anula obstáculos. Ela não os invisibiliza. Pode, na verdade, fazer com que diferentes problemas de responsabilidades, insegurança, visibilidade exarcebada, acabem surgindo para afetar diretamente a cada vez mais necessariamente abordada saúde mental.

Há exatamente um ano, o atacante uruguaio Morro García tirava a sua própria vida por, simplesmente, não aguentar mais. Não ter uma saúde mental devidamente cuidada. Passar por situações as quais ele não estava devidamente preparado mesmo em meio a um tratamento psiquiátrico.

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Da maneira mais trágica possível, o jogador então com 28 anos de idade que foi cortejado de maneira emocionante na cidade de Montevidéu especialmente por torcedores do Nacional (clube que o revelou e do qual era torcedor confesso) nos trouxe com os dois pés (e, principalmente, a cabeça) para a realidade.

Chocou. Impactou. Novamente tratou de expor uma chaga a qual todos nós estamos expostos e que, diante do grau de pressão vivido na atual sociedade, pode acabar chegando ao seu limite depois de frases como…

“Ah, mas ele só faz isso da vida, como consegue ser esse lixo?”

“Como conseguiu virar profissional sendo ruim desse jeito? Devia sumir da face da terra.”

“Esse cara é um infeliz, devia parar de jogar futebol hoje!”

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