Poucos treinadores do futebol mundial podem se orgulhar de construírem uma história de tamanha estabilidade como enxergamos no trabalho do atual técnico da seleção do Uruguai, Óscar Tabárez. Seja na análise técnica, tática ou mesmo de relacionamento com os atletas avaliando as opiniões dentro ou fora de seu país natal.
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Nem mesmo a grave doença que o acomete há alguns anos consegue tomar de si a paixão, dedicação e visível capacidade de buscar a constante reinvenção do seu trabalho mesmo contando com o fato de que geopoliticamente, o futebol uruguaio conta com um universo de mão de obra menor do que outros grandes adversários sul-americanos.
Depois de ter comandado entre idas e vindas a Celeste entre o final da década de 80 e o início dos anos 90, parecia que ambos ainda não estavam prontos para estabelecer uma relação tão duradoura. Não à toa os dois lados precisaram passar por momentos diferentes antes de se reencontrarem mais de 15 anos depois onde, em 2006, recomeçava o trabalho de El Maestro no selecionado charrua.
De lá pra cá, é notória não apenas a reabilitação da equipe referente a resultados (a equipe chegou em quarto lugar na Copa do Mundo de 2010, foi ao mata-mata em 2014 e 2018 além da Copa América em 2011), mas, principalmente, da aura que constituiu ainda no século passado a camisa Celeste.
O verdadeiro temor dos adversários em duelar contra aquela que equipe onde, no primeiro olhar, parecia apenas um time competitivo. Mas, na base da absoluta entrega, respeito as limitações e obediência tática invejável, se fortalecia ao ponto das individualidades darem o “toque de chef” a essa receita tão bem-executada. Assim era o Uruguai passando pelos anos 30 e 50 nos Mundiais, ao longo das décadas nas inúmeras taças de Copa América e chegando, justamente, a gestão Óscar Tabárez.
Dentro dessa realidade tão bem reproduzida e com a felicidade quase que cósmica em ter como contemporâneos dois gênios como Luis Suárez e Edinson Cavani, toda a estrutura montada de suporte (Diego Lugano, Álvaro Pereira, Diego Godín, José Maria Giménez, Maxi Pereira, dentre muitos outros na história) ganhou um poderio de fogo no ataque tão admirável como invejável. Construindo, assim, uma história merecida de 200 capítulos.
Tabárez já foi criticado e sabe que a dupla não tem duração eterna. Para isso, a chegada de figuras como Brian Rodríguez, Darwin Núñez, Diego Laxalt ou mesmo De Arrascaeta ganham importância no atual processo de renovação. Assim, a reinvenção do sucesso toma forma e não nos deixa duvidar de que, no que depender da sustentabilidade do trabalho, ainda atingirá marcas mais expressivas.