Firmeza contra pedido de indenização, motivos de prisão preventiva e convicção por desejo de justiça. Estes foram alguns dos temas abordados na entrevista do Uol com Ester García López, advogada da acusação no caso onde Daniel Alves é acusado de agressão sexual.
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Diferente do habitual, Estar assegurou em diversos momentos que sua cliente é totalmente contra a busca por qualquer indenização. Comportamento esse mostrado tanto em sua primeira reunião com ela como quando se apresentou para dar seu depoimento:
“Eu fiquei impactada, porque eu dou assessoramento jurídico gratuito e logo na primeira visita eu disse tudo a que ela tinha direito, os procedimentos, e a indenização. Eu expliquei logo no primeiro dia, uma semana antes de estourar tudo. Eu lembro do olhar dela. Ela me olhou e disse: ‘Ester, eu tenho a sorte de ter boas condições de vida, e não quero indenização, quero prisão’. Ela foi muito taxativa nisso, e isso me impactou. Eu disse ‘eu sei, mas você tem direito a indenização, porque houve lesões físicas, e vai haver sequelas, danos morais’. E ela insistiu, disse: ‘Não quero dinheiro’. A frase dela foi: ‘Se tiver dinheiro de indenização envolvido, eu não vou contratar você’.”
“Quando a juíza perguntou se ela pediria indenização, ela disse que não. A juíza insistiu, dizendo que ela tem direito de pedir essa indenização. E minha cliente disse de uma forma muito firme que não queria dinheiro, que queria justiça. Disse exatamente assim”, ratificou a advogada.
A profissional que defende a suposta vítima do jogador com passagem pelo Barcelona também elencou os motivos que fizeram Daniel Alves ser preso preventivamente logo após seu depoimento:
“Foram três motivos. O primeiro deles é a existência de indícios. [Falamos] indícios, não falamos provas porque é uma fase muito inicial do procedimento, que permitiriam atribuir um suposto delito de agressão sexual, com pena de até 12 anos de prisão. A existência desses indícios corrobora a investigação, que foi efetuada por uma unidade que aqui se chama UCAS (Unidade Central de Agressão Sexual), uma unidade específica da polícia da Catalunha que se dedica a investigar esse tipo de delito. Além das contradições que apresentavam os depoimentos do senhor Alves. O depoimento de nossa cliente não tinha nenhuma falha. Já o dele tinha várias. O segundo motivo foi o risco de fuga. Ele é uma pessoa com capacidade financeira grande, que não residia na Espanha e que tem dupla nacionalidade. Haveria muita dificuldade de extradição para a Espanha caso ele pisasse em território brasileiro. O terceiro motivo foi proteger os bens pessoais da nossa cliente. Preservar a sua identidade e que não houvesse uma obstrução à Justiça.”
Questionada sobre a possibilidade de Cristóbal Martell (novo advogado de defesa contratado por Daniel Alves) oferecer algum tipo de acordo, Ester García entende que não seria possível pensar nisso no momento.
Porém, ela agregou que tem feito de tudo para que, meramente diante da pressão midiática, sua cliente não seja conduzida a aceitar algo que não é o que realmente deseja.
“Inicialmente, não. O senhor Martell é um advogado muito bom, e um grande profissional. Também comentaram comigo que ele faz muitos acordos, mas eu vou defender os direitos da minha cliente. Se ela não quiser um acordo, não tem acordo”, disse a advogada da acusação, agregando:
“Meu medo é que comecem a exercer uma pressão midiática para que ela chegue a um momento em que diga “não aguento mais”. Por isso eu me preocupo com esse excesso de informações vazadas, porque eu tento preservá-la ao máximo. Nenhum advogado oferecerá um acordo em um momento tão inicial, e vai depender do curso das investigações. Eu fiz poucos acordos em 23 anos de carreira. Enquanto minha cliente disser que não quer fazer um acordo, a voz dela está acima da minha. Eu vou respeitá-la.”