É oficial: Lionel Messi não vestirá mais a camisa da seleção da Argentina em jogos competitivos. A informação se confirmou nesta segunda-feira (31) por meio de carta publicada pelo próprio astro através de suas redes sociais. Em números, foram
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Segundo Messi descreve, a mensagem estava pronta desde o último dia 21 de julho. Mais precisamente, dois dias após a final da Copa do Mundo onde a Argentina foi superada, na prorrogação, pela Espanha.
Entretanto, em meio ao devido período de reflexão tomado pelo atleta de 39 anos, um fato serviu como sinal para que ele ratificasse sua decisão: a morte de seu pai, Jorge Messi, em 7 de agosto.
Espanha, frustrações e primeira aposentadoria
Frequentador da Albiceleste desde os primeiros estágios das categorias de base, Messi quase vestiu, na verdade, a camisa da Espanha. Isso porque, ainda em formação no Barcelona, representantes da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) tentaram o convencer de defender a Roja. Contudo, compartilhando o desejo do pai, ele se manteve firme na ideia de jogar pelo país onde nasceu, mesmo tendo vivido a maior parte de sua vida em território europeu.
Apesar da decisão de Messi, o contraste entre os desempenhos épicos com a camisa do Barça e a seleção da Argentina foram ponto de incômodo por anos. Tanto no aspecto técnico como até mesmo comportamental, sendo atribuído a ele um sentimento de “distância” para com o selecionado argentino.
Não por acaso, após duas decisões perdidas em sequência de Copa América, Messi chegou a dar entrevista, em 2016, dizendo que não defenderia mais a Albiceleste. Cerca de um mês e meio depois da fatídica entrevista onde revelou sua decisão, Lionel afirmou que tinha reconsiderado a situação e que seguiria a disposição da seleção argentina.
Do inferno ao paraíso
Passaram-se, pelo menos, mais dois anos onde os desempenhos de Messi e de outras figuras históricas foram questionadas pelo grande público. Especialmente, diante do largo jejum que se constituiu antes e durante sua geração entre a conquista da Copa América de 1993 e a de 2021, no Maracanã, frente ao Brasil. E foi justamente esta taça, tendo Lionel Scaloni no banco de reservas, que marcou o maior “ponto de virada”. Desde então, foram três taças entre Finalíssima (2022), Copa do Mundo (2022) e a Copa América de 2024.
Com o anúncio de Lionel Messi, ele termina sua trajetória que perdurou por 21 anos, na seleção principal, com 207 jogos (recordista) sendo 134 vitórias, 43 empates e 30 derrotas. Nos confrontos em questão, ele colaborou com 125 gols (maior artilheiro) e 65 assistências.
Tradução
Depois de todo esse tempo que passou desde a final, depois de pensar muito, quero comunicar a todos que estou deixando a Seleção…
Foi uma decisão que doeu e ainda dói na alma, mas entendo que chegou o momento. Juro a vocês que sempre dei tudo de mim, não apenas nos últimos anos, em que conquistamos tudo, mas também antes disso. Sempre lutei e me entreguei por esta camisa, para proporcionar alegrias e fazer com que vocês se sentissem orgulhosos de serem argentinos através do futebol.
Falta pouco e algumas etapas vão chegando ao fim, e esta é uma que me dói muito. Amo, amei e amarei para sempre estar na Seleção. Dei tudo o que tinha, já não tenho mais para oferecer e, além disso, vêm atrás de nós garotos muito talentosos que merecem estar aqui.
Obrigado por todo o carinho ao longo destes 20 anos. Vou sentir muita falta de ouvir vocês lá de dentro. Agora vou ser mais um de vocês, torcendo e apoiando sempre de fora — nas boas e nas ruins, muito mais.
Obrigado à minha família por estar sempre ao meu lado, por me acompanhar nesta viagem tão linda, mas também tão difícil. Obrigado a cada um dos treinadores, companheiros e dirigentes com quem tive a oportunidade de compartilhar essa caminhada. Levo comigo lembranças e momentos inesquecíveis que vivi.
Vou embora com a tranquilidade e o orgulho de ter proporcionado a vocês, junto com meus companheiros, momentos com os quais sempre sonhamos. Foi uma loucura poder viver tudo isso ao lado de vocês. Eu amo vocês!
Obrigado, Deus, por me fazer argentino.
Vamos, Argentina!
*Estas palavras foram escritas por mim no dia 21 de julho, dois dias depois da final. Hoje, depois do que aconteceu com meu pai, estou mais convencido do que nunca.